Catequese litúrgica

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Na história aprendemos que Deus criou o homem do barro e o colocou no jardim como sacerdote, já que o jardim era na verdade um templo sagrado. Como aprendemos na catequese passada, nossos templos e capelas são o novo Jardim do Éden, onde está a árvore da vida que é a cruz e seu fruto que podemos comer para ter a vida de Deus que é a Eucaristia, ou seja, o próprio corpo de Cristo. 

Agora, comecemos com uma pergunta:

Os sacerdotes usam roupas especiais quando vão celebrar a missa. Se Adão era o sacerdote do jardim, qual era sua vestimenta sacerdotal?

Ele tinha vestimenta? Tinha sim! Todo sacerdote deve ter uma vestimenta sacerdotal.

Sua vestimenta era sua própria carne, seu corpo nu. Porque era um corpo especial que estava envolto de uma luminosidade especial. E Adão perdeu esta luminosidade do corpo com o pecado. 

Mas agora vamos ver o que significam as vestimentas que o sacerdote usa para celebrar a missa. O primeiro que vemos é uma roupa que o padre usa que o cobre até os joelhos e tem uma abertura para a cabeça. Ela muda de cor de acordo com os tempos litúrgicos. E geralmente tem diferentes símbolos desenhados nela. Chama-se casula.

A casula simboliza o jugo de Cristo que o sacerdote, como seu ministro, deve carregar. Porque Cristo disse: “meu jugo é suave e minha carga é leve”. O sacerdote na missa é outro Cristo e, por isso, deve carregar um jugo em direção ao altar, assim como Cristo carregou a Cruz em direção ao calvário. Por isso, o sacerdote reza ao vestir a casula esta oração: “Senhor, que disseste: Meu jugo é suave e minha carga é leve, fazei que eu o carregue de tal maneira que alcance a tua graça. Amém”.

A casula também cobre todas as outras vestes sacerdotais e, por isso, simboliza a caridade, que é a virtude mais importante de todas e que deve estar sempre presente, inspirando todas as outras virtudes e cobrindo a multidão de pecados. 

Agora, o que o padre tem por debaixo da casula?

Vêem algo branco que o padre tem por baixo e que chega até os pés?

Seu nome é como se diz branco em latim. 

Se diz “alba”. E esse é o nome dessa roupa. Porque é branca e simboliza que o sacerdote deve ser puro de coração. Por isso, quando a veste, ele reza esta oração:

“Purifica-me, Senhor e limpa o meu coração, para que purificado com o sangue do cordeiro, possa desfrutar das alegrias eternas”. 

Em seguida, um cordão grosso de tecido chamado cíngulo é amarrado na cintura. Simboliza a castidade do sacerdote, que significa que o sacerdote não se casa com nenhuma mulher, não tem esposa ou namorada. E nos lembra de Cristo amarrado para ser flagelado em sua paixão. Esta é a oração que o sacerdote faz ao vesti-lo:

“Cinge-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e apaga em minhas carnes o fogo da concupiscência, para que more sempre em mim a virtude da continência e castidade”. 

Nos ombros, o sacerdote usa uma peça de roupa que se parece com um cachecol, mas é feita de tecido. Chama-se estola. Suas extremidades pendem na frente da alva e sob a casula. Sua cor é diferente de acordo com o tempo litúrgico ou a festa que se celebra. Já os diáconos a vestem cruzada do ombro esquerdo até a parte direita da cintura.

Sempre há uma cruz na estola para que o sacerdote a beije ao vesti-la. Este gesto simboliza seu amor pelo sacerdócio e por Jesus. A estola simboliza a dignidade sacerdotal, ou seja, sua autoridade como mestre e pastor das ovelhas.

O fato da estola estar sobre os ombros significa que ele deve levar as ovelhas sobre seus ombros como o Bom Pastor. O sacerdote não pode celebrar a missa sem estola. A oração que o sacerdote diz ao vesti-la é a seguinte:

“Restitui-me, Senhor, a túnica da imortalidade, que perdi pelo pecado dos primeiros pais; e, ainda que indigno me aproxime dos teus sagrados mistérios, faz que mereça, no entanto, a alegria eterna”. 

Na cabeça, o sacerdote coloca um pano branco retangular chamado amito. Esta peça de roupa é usada por baixo da alva. Na tradição monástica beneditina, é usada como um capuz para cobrir a cabeça do sacerdote. Essa tradição segue fielmente o simbolismo, pois o amito simboliza o capacete da salvação mencionado por São Paulo em sua carta aos Efésios. A oração para vestir o amito é a seguinte:

“Senhor, põe sobre minha cabeça a defesa (o elmo) da minha salvação, para lutar vitorioso contra os embates do demônio”. 

E finalmente o padre tem uma vestimenta pendurada que é colocada no braço esquerdo. (Esta vestimenta está em desuso no rito ordinário após a reforma). Ela é chamada de manipulo. Sirve para que o padre possa secar o suor do trabalho no qual ele representa Cristo em seu sacrifício, lembrando como Jesus suou sangue por nossos pecados na Cruz. E também para enxugar as lágrimas que derrama ao ocorrer o grande milagre da presença de Cristo nas espécies do Pão e do Vinho. 

Agora, vou apresentar um pequeno problema. Adão e Eva podiam estar dentro do jardim do Éden porque eram sacerdotes. Também em nossos templos ou igrejas, somente os sacerdotes podem entrar. Mas então como nós que não somos sacerdotes entramos?

É porque no batismo todos recebemos um sacerdócio que é chamado de sacerdócio comum dos fiéis que nos faz participar do sacerdócio de Cristo e por isso podemos entrar no jardim, no templo. Se não, teríamos que ficar do lado de fora. 

Aprendendo todas essas coisas, percebemos o quanto é importante para Deus o sagrado e, por isso, a figura do sacerdote é fundamental para a sua obra de santificar seus filhos.