Simbolismo iconográfico

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Os símbolos que queremos descobrir neste ícone são os seguintes:

Iniciemos pelo jardim que é rodeado por uma muralha que tem 7 lados. O número 7 é o número da aliança e o número dos dias da criação. Que o número 7 apareça no jardim significa que Deus criou este jardim fechado para fazer uma aliança. Esta aliança será estabelecida entre Deus e o homem, ou seja, entre o 1 (número que simboliza Deus pela unidade da Santísima Trindade) e o 6 (número que simboliza o homem, por que é o dia que ele foi criado): cuja soma tem como resultado o número 7. Mas este jardim não é como os jardins que temos em nossas casas, ele é muito mais especial, ja que ele tem as mesmas características de um templo sagrado.

O jardim que está no Éden equivale ao Santo do Tabernáculo de Moisés ou do templo de Salomão. Dentro do Tabernáculo e do Templo de Salomão também estava o “Santo dos Santos” ou “lugar Santíssimo”; no jardim do Éden, este lugar corresponde ao centro do jardim onde está a árvore da vida.

E finalmente está o lugar fora do jardim, ou seja, o Éden (por isso dizemos jardim do Éden, por que o Jardim ficava dentro deste lugar chamado Éden) que corresponde, no Tabernáculo e no Templo, ao átrio. Este é o lugar onde Adão e Eva foram depois de terem pecado e terem sido expulsos do jardim. 

Compreendemos, então, que Deus criou o jardim do Éden e também o mundo como um “Templo” para que o homem o adore fazendo liturgia. 

No Tabernáculo e no Templo, podemos contemplar três partes. O “Santo dos Santos”, o “Santo” e o “átrio”. Estas mesmas partes estão no Jardim do Éden. 

O centro do jardim onde estão a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal corresponde ao “Santo dos Santos” ou Lugar Santíssimo. 

O jardim, onde se encontram as outras plantas ou árvores e está rodeado pela muralha, corresponde ao “Santo”, onde os sacerdotes podiam entrar para dar culto a Deus. 

E o terceiro lugar, que está fora das muralhas, ou seja, o Éden, corresponde ao “átrio”. O átrio é o lugar onde se ofereciam os sacrifícios e onde os sacerdotes e as vítimas se purificavam.

A árvore no centro do jardim é a árvore da vida. Ela está localizada no centro do jardim, que corresponde ao “Santo dos Santos”. É o lugar onde a presença de Deus está e onde Ele quer dar vida eterna ao homem. Por isso, no ícone, esta árvore se destaca em altura e em beleza em comparação com todas as outras árvores.

Nesta árvore podemos ver a imagem de Cristo criança que corresponde ao icone de Cristo Emmanuel, nome que significa Deus conosco. A imagem de Jesus na árvore da vida simboliza o plano que está no coração do Pai antes da criação do mundo, ou seja,  Deus que quis vim viver com o homem e que quis e quer compartilhar a sua propria vida com a humanidade, e isso Deus planejou fazer através de uma árvore que tem um fruto misterioso. Quem comesse desta árvore se tornaria como Deus. Isso é um símbolo maravilhoso da nossa comunhão com o corpo de Cristo na Eucaristia, que faz com que nos configuremos a Cristo e portanto com Deus. 

Do tronco da árvore da vida, surgem duas ramas que veladamente nos insinuam uma cruz. Entendemos então que este “tornar-se como Deus” não se dará por outro caminho que não seja pelo caminho da cruz.

A árvore que está atrás da árvore da vida com frutos vermelhos é a árvore do conhecimento do bem e do mal. 

É a prova que Deus colocou ao homem para poder comer da árvore da vida.

No tronco desta árvore podemos ver uma espécie de ramos pequenos que são seis em número. O número seis é o número do homem. O homem, ao passar por esta árvore e cumprir o mandamento que Deus lhe deu, possuiria a vida imortal e poderia contemplar o rosto de Deus e isso nos mostra que enquanto o homem permanecer unido a Deus e cumprir seus mandamentos, não morrerá, mas terá a vida sobrenatural.

A árvore também tem 7 grandes folhas. O 7 é o número da perfeição e da aliança. E este número está nesta árvore porque se eles passassem na prova de não comer da árvore proibida, entrariam na aliança com Deus no sétimo dia.

Há 5 árvores à esquerda do ícone. O número cinco é um símbolo da lei de Deus.

Se observarmos o número de galhos em cada árvore, podemos ver que elas repetem o número cinco e o número três, simbolizando que a Santísima Trindade se manifesta em sua criação e que somente se unindo a Deus o homem é capaz de cumprir a vontade divina expressada em seus mandamentos.

Em uma das árvores, vemos um animal, que é um pavão. O pavão é um símbolo da imortalidade e da vida eterna. Este símbolo quer significar que se Adão e Eva tivessem cumprido o mandamento de Deus, teriam vida imortal.

As árvores à direita do ícone também são cinco. Difernente das árvores à esquerda, o número que se repete nos galhos é o número três e, em uma ocasião, o número dez. O número dez é o número dos mandamentos que Deus deu a Moisés no Êxodo. O simbolismo que podemos vislumbrar é que o homem que cumpre os mandamentos que Deus lhe deu vive unido à Trindade e não sofre a morte.

Também podemos ver quatro fontes que brotam do jardim, duas à direita e duas à esquerda. Entre outras coisas, o número dois simboliza as duas naturezas de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ou seja, essas fontes que regam o paraíso e a partir daí toda a terra são um símbolo de Jesus. É por meio dele que todas as coisas na Criação têm vida. O fato de ser repetido duas vezes significa ênfase de acordo com um costume que pode ser observado na Bíblia.

E há quatro rios no total, porque o número quatro é o número do mundo e da Cruz. O mundo que cairá em pecado e no qual tudo murchará e morrerá, voltará à vida graças ao sacrifício de Jesus na Cruz. E assim como quatro rios de água saem do jardim, do lado de Cristo crucificado sairá sangue e água.

 E por último podemos observar que há duas portas no jardim e nelas podemos ver dois querubins. Estão abertas para que o homem entre e viva junto com Deus. Os querubins são os guardiões das portas e marcam com a sua presença a santidade do lugar, nos avisando da presença de Deus.